Entrevista a Octávio Ribeiro

Contactado via e-mail, Octávio Ribeiro jornalista e Director do jornal Correio da Manhã respondeu a umas questões que acho pertinente colocar:

Richard Withey afirmou que “o último jornal de papel será impresso a 11 de Abril de 2041” e Philip Meyer calculou que em 2043 será o momento em que o jornal de papel morre. Com esta crescente do online, o desaparecimento do jornal de papel será uma realidade? E porquê?

Não sei. Não consigo prever a evolução do suporte papel na circulação da informação jornalística. Acho que em Portugal alguns projectos tenderão a acabar mas o Correio da Manhã continuará a crescer nas vendas da nossa edição em papel.

Estatisticamente as pessoas lêem cada vez mais, principalmente online. Quais os aspectos positivos e negativos que as redes sociais, os blogs, RSS, Podcasts sites como Poynter, Twitter, FaceBook podem trazer ao jornalismo?

São novas fontes de informação que, como quaisquer outras, devem ser cruzadas.

Os leitores actualmente comportam-se de maneira diferente, e não querem simplesmente ler, mas escrever também. Querem ser editores dos seus próprios pensamentos e ideias e publicá-los online. Com este novo termo “jornalista cidadão” (citizen journalist) o jornalismo como hoje o conhecemos pode alterar-se de maneira significativa?

As pessoas sempre escreveram numa busca de interacção com o seu jornal. Pensamentos e ideias não são notícias. Para produzir notícas é necessário aplicar e cumprir regras técnicas e deontológicas.

Quais as razões que ainda levam os leitores a comprar um jornal de papel? Será somente por uma questão de tradição?

O papel tem cheiro, volume, autonomia energética. Para ler um jornal em papel basta a luz do dia.

Caso se verifique o desaparecimento do jornal de papel, que estratégias devem ser adoptadas para o jornal online cativar leitores? Uma vez que cada vez mais as pessoas visitam e criam blogs feitos por não jornalistas.

Qualidade na informação fornecida.

Como vê o futuro da profissão de jornalista? Estará em risco?

Não me parece. Os bons jornalistas terão sempre mercado e cumprirão sempre um papel essencial à saúde das democracias.

Que espera estar a fazer daqui a 5 ou 10 anos?

Se Deus me der vida e saúde – jornalismo.

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